Por que a Microsoft vai perder o mercado de sistemas operacionais

Por que a Microsoft vai perder o mercado de sistemas operacionais

O Sr. Steve Ballmer falou hoje no encontro anual de estudantes da Microsoft, The Minority Student Day. Uma das perguntas chamou a atenção de Todd Bishop do Seattle Pi.com.
Um dos estudantes perguntou, na lata: No futuro, a Microsoft planeja fazer uma versão open-source do Windows?

Update: Este texto foi corrigido graças a observação do Michel, nos comentários.

“Não, respondeu Ballmer sem exitação

E continuou…

Bem, o que isso significa? Uma versão de código aberto do Windows significaria que não somente publicaríamos o código do windows mas que o daríamos de graça. Isto é o que código aberto significa. Nós não teríamos como organizar o The Minority Student Day, se abríssemos o código do Windows por que não teríamos lucro suficiente para pagar nem o pessoal, que dirá para convidar pessoas da comunidade. Eu não estou dizendo que código aberto é uma coisa ruim, mas isto não paga as contas desta empresa, então não podemos adotar esta forma de fazer as coisas… Nós damos refrigerante grátis para todos que trabalham aqui. Se fizermos nossos produtos gratuitos, as pessoas terão que devolver os refrigerantes, simplesmente isto não é consistente com o que fazemos por aqui.”

Você pode ler o original no link acima, tem uma frase que eu não entendi e usei um pouco de liberdade poética na tradução sem afetar o sentido.

Tirando a brincadeira com o refrigerante, o Sr. Ballmer ainda não entendeu o problema. Não há como evitar a abertura de código do Windows, se eles não fizerem isso perderão todo o mercado. Ele ainda associa código aberto com software gratuito e, uma coisa não tem nada haver com a outra. Código Aberto não tem relação direta com software livre e, mesmo software livre não significa software grátis.

O que o Linux, o BSD, o Solaris e outros kerneis (é assim que se faz o plural de kernel em português?) de código aberto e/ou software livre estão fazendo é tirar o valor intrinsico do sistema operacional. Coisa que, provavelmente em alguns anos será incluída no que chamamos hoje de BIOS deixando de ter o tal do valor agregado. Serão vendidos, é claro, mas por um valor irrisório se comparado aos preços cobrados hoje.

O usuário comum, que não entende a diferença entre um agendador de tarefas justo ou não. Não dá a mínima importância para isso. O que ele quer é ser capaz de usar sua máquina, seus documentos e sua internet de forma integrada com o resto do mundo sem se preocupar com detalhes técnicos.

Compre no SubmarinoAos poucos sistemas como o GNU/Linux vão ficar transparentes para o usuário final, facilitando a adoção. Aos poucos os governos dos planeta verão que não interessa o custo do software o que interessa é ter certeza que ele faz só o que diz que faz e exigirão sistemas de código aberto. Aos poucos desktops como o KDE e Gnome rodarão em todos os sistemas operacionais e os usuários finais não precisarão mais se preocupar se o kernel é A, B, C. Isso sem falar no tal do Cloud Computing que parece ser uma tendência que veio para ficar.

Eu sei disso, você sabe disso. Até o Sr. Ballmer sabe disso. Na posição que ele ocupa, tudo que ele pode fazer é mudar o perfil de faturamento da sua empresa, expandindo para outras áreas e diminuindo o peso dos sistemas operacionais no faturamento da empresa.

Se ele não fizer isso. Vai acordar um dia com um monte de refrigerante devolvido na porta.

Update: O Paulino citou um artigo nos comentários que eu pensei que fosse um que eu li, mas creio que seja esse do Slashdot, citando a CNet, Citando o Linus, que por sua vez, se refere a sistemas operacionais “transparentes” vou ler mais tarde e se valer a pena comento por aqui.

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